Comentários sobre Harry Potter

Olá, queridos. Nagi falando. Essa semana é minha, mas não sei nada o que escrever, então vou comentar sobre HP (uma coisa que tenho evitado fazer há algum tempo por algumas várias razões).

1 - Razões por que eu não queria escrever.

Primeiramente, eu não gosto de discutir sobre HP. Tenho uma opinião formada sobre a obra e ela é só minha, e todas as vezes que falei algo para alguém gerou uma discussão que ou era reduzido a "Você tem inveja", "Queria escrever assim" ou "Quem é você para falar algo?", "Críticos do mundo todo aplaudiram, mas é o XXX que tá certo". Tenho tolerância a ad hominem, mas o volume de ad hominem é tão maior que o de pessoas dispostas a ouvir que fica cansativo de falar.

Segundo, sou um leitor repetitivo de HP. Li PF, CS, PA e CF pelo menos três vezes, OF eu li por cima umas duas vezes, só entrei em EP para poder fazer pesquisa e não toquei em RM ainda (fora uma vez, que foi meio por acidente pra poder ver a cena do Dumbledore, Snape e a corça). Eu leio tantas vezes os livros (e ainda vou reler mais vezes) que meio que paro de pensar ou de sentir algo sobre o que eu tô lendo. Fazer crítica (ou comentários, porque meu fundamento literário é só pra poder dar carteirada, ele é rasteiro pra demais coisas) a HP hoje é meio que algo que não ocupa mais espaço na minha mente. Posso fazer uma reflexão quando tenho disposição, posso comentar em alguns grupos de amigos, mas não penso exatamente em fazer mais uma crítica.

Terceiro, preguiça. Acho que quem me acompanha há algum tempo sabe como eu tenho um problema crônico de vadiagem, então Aergia me domina muito facilmente nos momentos menos oportunos. Só escrever posts no blog já é algo extenuante.

2 - Sobre critérios.

Os critérios para meus comentários em HP são simples: "Por que isso é problemático?", "Por que isso é desinteressante?", "Por que isso não é genial?", etc. Por mais que eu não goste, tenho muita bagagem vinda da minha primeira área de formação, a matemática, que utiliza o falseamento como um dos métodos para validar alguma construção lógica. Por mais que isso tenha detalhes que demonstram insuficiência fora de ciências puras, ainda é a principal forma de validação de raciocínio que uso. Então, as vezes, pode parecer mais que estou pensando de forma inteiramente cronológica, então peço que me desculpem um pouco.

3 - Disclaimer.

Não sou proprietário de Harry Potter nem tenho interesse em sê-lo. Não tenho interesse em ganhar dinheiro com a franquia de qualquer forma, então não farei promoção, negativa ou positiva, de qualquer coisa no contexto de observar algumas coisas dos livros da franquia. A proprietária dos direitos autorais é JK Rowling e qualquer problema ou elegância é de responsabilidade dela.

4 - Aspectos gerais.

O mundo de Harry Potter é, observando como menções são feitas ao longo dos livros, muito vasto e rico em matéria de conteúdo. Há uma centena de governos bruxos, uma dezena de escolas de magia, uma variedade de magias, todo tipo de bruxo, seres, criaturas mágicas... é um mundo cheio de variedade. Porém, apesar de toda essa variedade, há um brutal subaproveitamento do potencial do mundo de Harry Potter.

Em Pedra Filosofal há uma certa compreensão (e me falta o termo para esse tipo de consenso) do porquê não se expande para comentar o mundo: é um livro introdutório, o menor da franquia, que apresenta muitos personagens e estabelece o ambiente onde a história irá passar, com uma trama de mistério, solução e recompensa completa. É ainda, acredito, o livro mais fechado de toda a saga, já que mesmo tendo o objetivo de cativar o leitor ele também tem um encerramento, sem um gancho exato para o livro seguinte além da percepção de que haverá mais seis anos de aula antes do protagonista se formar.

Em Câmara Secreta, a lógica de mistério, solução e recompensa se mantém, mas desta vez sem a necessidade do estabelecimento do ambiente. Esta abertura permitiria a exploração de outros problemas que são apresentados dentro da própria história: a história de Hogwarts e a ofidioglossia (ou parseltongue, como algumas pessoas gostam de usar em português).

A história de Hogwarts (as partes que importam para a história da saga) é contada de forma rápida, unilateral e em um tom que soa muito pueril (que é compreensível, pelo público alvo dos livros). Salazar Slytherin é colocado como maléfico, inteiramente intolerante com aqueles de nascença diferente das mágicas, que era a única parte em desequilíbrio em Hogwarts. A falta de contextualização para este ponto da história, embora ainda compreensível pela baixa idade dos personagens e do público, não se justifica nas obras sequentes, onde em nenhuma vez a fundação de Hogwarts foi revisitada para poder reolha-la de forma mais elaborada além do poema cantado pelo Chapéu Seletor no quinto livro, onde ele comenta explicitamente que todas as casas brigavam entre si, bem como que foi o abatimento causado pela saída de Slytherin que fez todos pararem de brigar e conseguir de novo uma união - ainda ignorando o contexto das brigas além do Lago Negro e do porquê Slytherin agia tão intolerantemente. Além de Slytherin, numa história contemporânea em um período muito recente, é narrada a abertura da Câmara Secreta. Nesta abertura, a escola havia sido aterrorizada - todas as coisas haviam sido mencionadas diretamente pelo próprio Tom Riddle. A narração de Riddle é obviamente tendenciosa, mas ela ainda indica uma coisa: a história de 42 foi abafada. A morte da Murta que Geme foi acobertada pelo Diretor Dippet, muito embora ela tenha sido de conhecimento geral. Apesar do Ministério da Magia ser reconhecidamente corrupto através de todo o tempo (tal como qualquer regime parlamentarista acaba sendo) e mesmo que tenham realmente acobertado a morte da Myrtle Warren,  os pais não ficaram sabendo das ocorrências ao longo do período? Como um jornal como O Profeta Diário não publicou sobre, sendo que é um papel reconhecidamente predatório? A melhor explicação para isso que eu já vi foi em uma fanfic, pois no livro ela não fez sentido nem em 42 nem em 92, porque não houve nenhuma indicação de que ou a escola ou o Ministério da Magia proibiu os alunos de enviarem cartas alertando seus pais, e ainda assim conseguiram abafar os casos bem o bastante para que eles não fossem registrados em períodos de Hogwarts, uma história, sendo as únicas provas concretas de que algo aconteceu os troféus de Tom Riddle, Harry Potter e Ronald Weasley por "serviços prestados a escola".

A questão da ofidioglossia é, ainda, uma aberração por si só dentro do universo de HP em qualquer momento. Primeiramente, em Câmara Secreta, ela foi registrada como uma característica de um bruxo das trevas, o que não somente reduz uma capacidade mágica como também é burra no princípio, já que assim deveriam haver muitos bruxos das trevas capazes de falar a língua das cobras. Segundo, é uma caracterização local válida devido ao fim recente da Primeira Guerra Bruxa, onde as memórias do terror de Lorde Voldemort ainda eram vivas - em particular o uso da ofidioglossia tanto como status quanto arma de terror. Porém, ao mesmo tempo, reduz uma capacidade mágica singular que, por questões naturais, não somente é impossível que ela pertencesse a uma única linhagem familiar (Slytherin) como também que ela florescesse e prosperasse em apenas uma região (Reino Unido), e que ela tivesse desaparecido em algum momento, visto que todos os puros-sangues tem laços familiares de alguma forma, o que torna natural o aparecimento de um ofidioglota dentro de alguma família Antiga, em especial as Nobres. Não faz sentido que os únicos ofidioglotas conhecidos sejam Harry e Voldemort, bem como não faz sentido que não hajam registros dessas habilidades além do "bate-boca" entre os bruxos, como ficou clara ser a abordagem dada ao assunto em Cálice de Fogo com o último artigo de Rita Skeeter, onde um membro de uma Liga de Defesa Contra as Artes das Trevas (organização provavelmente particular, mas ainda oficial) simplesmente falou que era uma marca de bruxo das trevas, sem apresentar nenhum embasamento científico além de um histórico de bruxos das trevas ofidioglotas e que cobras eram usadas para poções sombrias. Respeitando o ambiente do blog, falarei sobre isso em sigla: informações retiradas diretamente do CPTK.

Em Prisioneiro de Azkaban, o mistério da história teve um salto de qualidade, com uma construção do segundo capítulo até o penúltimo, quando começou a solução dos problemas. Há uma construção de pequenas partes que, ao longo da história, parecem isoladamente como partes para completar quantidade de palavras, mas formam uma linha muito bem construída ao longo do tempo. O livro em si não é ruim: ambientado (Hogwarts-Hogsmeade), prolongado (há páginas o bastante para a cenas serem mais longas), bem-construído (começo, meio e fim), e, embora com uma questionável solução (tanto pela "mágica" do roteiro quanto pela forma meio "vamos lá" do desenvolvimento da parte final), ele consegue entregar um amadurecimento de história e um sequenciamento que se completa num caminho (ou quadro, como queiram dizer). É um livro com uma função na saga e que a cumpre muito bem.

Em Cálice de Fogo, há uma mudança de chave na história: os personagens deixam de agir com a inocência infantil, a história ganha um teor mais "adulto" e o mistério não somente fica mais refinado como também é o primeiro livro que não tem uma solução fechada, deixando um gancho para as sequências. Uma coisa curiosa é que o embate entre protagonista e antagonista (Harry vs. Voldemort) não é a parte alta ou a mais importante do livro, mas ela é a mais importante para o desenvolvimento da história posteriormente, em especial em RM. A parte alta do livro é a cena imediatamente após o final do embate, que foi a revelação de Bartô Crouch Jr. como o espião em Hogwarts e a recapitulação da história sob a óptica "verdadeira" da história. Fora das partes boas, porém, há alguns problemas toleráveis, mas reais: subaproveitamento de personagens e, mais gravemente, do próprio mundo.

Personagens como Victor Krum e Fleur Delacour foram campeões estrangeiros do Torneio Tribruxo. Igor Karkaroff foi um Comensal da Morte internacional. Nenhum dos três foi explorado de forma além da superficial sobre suas características (Fleur), decisões e comportamentos mencionados (Krum) e uma única cena de "segredo" (Karkaroff). O melhor dos aproveitamentos foi o da Diretora Maxime, sendo que este aproveitamento foi marginal e de acordo com sua relação pessoal com o Hagrid, que é uma parte importante para a história do quarto livro e dos livros seguintes, mas que não ficou no foco além de momentos marginais a narrativa principal e sempre focando na parte do Hagrid. Não há aproveitamento de nenhum elemento novo.

O subaproveitamento do mundo vem por trás do subaproveitamento dos personagens: nos três primeiros livros, a existência do resto do mundo bruxo era apenas em forma de "Ele existe", com menções a países e algumas incursões fora de tela para eles. Em CF, porém, há um contato direto com a população de outros países: a Copa Mundial de Quadribol, camarote com o Ministro da Magia da Bulgária, contingentes de alunos do Leste Europeu (Durmstrang) e da Europa Ocidental (Beauxbatons). Praticamente não há exploração de nenhum elemento estrangeiro, nenhuma exploração de outra cultura mágica. Os momentos onde Fleur e Krum falam sobre seus colégios (Baile de Inverno) não servem de nada para falar sobre o exterior além das escolas e, muito marginalmente, os lugares onde elas estão. Não há exploração do Egito (recorrente nas menções), França, Leste Europeu ou qualquer outra coisa. Este mal acompanha até mesmo na sequência Animais Fantásticos, onde a única diferença que é mostrada e que importa é a forma que os estadunidenses tratam o sigilo da magia e a burocracia, sendo todos os bruxos e as comunidades bruxas, pela forma como apresentadas, como muito homogêneos, como se não pudessem haver culturas bruxas diferentes da que vemos no Reino Unido além de poucas coisas inteiramente formais.

Outra coisa que fica muito latente em CF, mas que é uma coisa comum em todos os livros é o subaproveitamento dos seres mágicos. É, no termo mais claro possível, ridículo como os seres (criaturas capazes de entender as leis) são tratadas como nada além de um acessório ao longo de toda a história. Os centauros são criaturas que vivem a menos de um quilometro da escola, mas a segunda aparição feita por eles após o primeiro livro são em cinco livros depois, em OF. Os duendes (ou goblins) são literalmente a únicas criaturas conhecidas que lidam com o dinheiro tanto em sentido de trabalho como em sentido institucional, tendo o único banco conhecido e de presença internacional, mas ainda assim não são explorados em nenhum momento da saga mesmo tendo um professor que é parte duende, Harry tendo que quase todos os anos sair para conseguir dinheiro no banco, eles tendo ingerência política reconhecida dentro do Ministério da Magia Britânico. Os elfos domésticos são as criaturas que provavelmente possuem mais desenvolvimento, mesmo que este desenvolvimento seja uma coisa indireta apenas espelhado na militância branca ("white savior") de Hermione Granger, que marca boa parte do quarto livro.

Fora as questões do personagem, há o ridículo chamado Rita Skeeter. Sendo ou não ela uma das repórteres (ou blogueiras) mais ativas e lidas do momento, era de uma profunda estupidez como ao mesmo tempo em que era desprezada e rechaçada ela também continuava a ser ouvida, numa ilustração precisa do predatismo editorial de boa parte da mídia comercial, mas que mostra a falácia da inimputabilidade de jornalistas ou jornais por matérias que eles fazem. Ela mentia, manipulava e roubava indiscriminadamente, o que pode se justificar por algum "medo" que algum oficial tivesse dela investigá-lo, mas que só demonstra um absurdo estúpido que, embora não necessariamente devesse, não se pode fazer semelhança com a realidade, tanto pela liberdade criativa quanto pelo próprio desenrolar da personagem pós-CF, visto que ela perdeu o emprego no Profeta e em outros papéis por causa de uma ameaça de Hermione, que simplesmente não se sustentaria pela realidade material devido a quantidade de pessoas que poderiam ameaçar Skeeter da mesma forma. Não faz sentido uma repórter como ela ter sumido sem ninguém ver, parado sem nenhuma movimentação paralela para se manter. Acabou sendo só uma personagem de recurso utilizável (propaganda) em momentos oportunos (censura do Ministério da Magia) e sendo possível de manipular por métodos em mãos do protagonista e seus aliados (conhecimento da natureza ilegal do status de animago).

Ordem da Fênix é uma continuação das questões de CF e livros anteriores. Curiosamente, apesar de ser um livro com um tom "clandestino" muito forte ao longo do livro todo, o foco quase que exclusivo no núcleo duro da saga (Harry, Rony e Hermione) reduz bastante o peso desse clima, considerando que a Armada de Dumbledore que eles criaram, embora praticamente uma milícia de estudantes, ainda é composta apenas por estudantes desobedecendo uma regra perigosa de uma burocrata corrupta. É até engraçado que o vilão do livro não tenha sido Voldemort ou os Comensais da Morte, mas sim Dolores Umbridge e sua perseguição dentro de Hogwarts. Dito isto, pontuo o problema de OF: Dolores Jane Umbridge.

É compreensível que o diretor estivesse se contendo para não antagonizar demais Dolores e acabar perdendo seu emprego. É compreensível que os professores estivessem se contendo para não antagoniza-la. Porém, o que é inteiramente incompreensível é como Hogwarts é uma instituição de ensino defeituosa, falha e repugnante para absolutamente qualquer aspecto de proteção aos estudantes. Dolores Umbridge torturou os alunos, tanto física quanto mentalmente, cheia de ameaças de expulsão. Independentemente se o Dumbledore queria ou não antagoniza-la, a sua total inação pela violência que ela aplicava aos alunos demonstra uma incompetência crônica de Hogwarts lidar com a violência na escola, qualquer estúpida desculpa de "ele não sabe de tudo". Snape era uma erva daninha que todos já haviam se acostumado e que havia mostrado valor ao salvar Harry no primeiro livro, mas Umbridge era só uma torturadora que viveu embaixo do nariz de Dumbledore e que não sofreu absolutamente nada por isso em momento algum. Não há desculpa para a existência de Dolores sob a visão de Dumbledore.

Ademais, é um bom livro. Luna Lovegood é um amor e O Pasquim é um ótimo meio para fazer a propaganda antivoldemort, embora acredite que deveria ter sido introduzido mais cedo. Colocá-lo como existente apenas no momento em que era necessário haver uma mídia alternativa é de uma preguiça visceral. Os testrálios foram magníficos, porém. Uma existência necessária para o desenvolvimento de Harry no quinto ano, uma chave para Luna se estabelecer e estabelecer um laço que impacta diretamente no último livro, onde os Lovegood são decisivos para o encerramento da saga.

Como não adentrei em EP e em RM, não irei comentar sobre os livros, mas vou comentar uma cena de RM.

5 - Personagens.

Primeiramente, que fique registrado que o melhor personagem da saga toda é, objetivamente falando, Tom Riddle Jr. Ele tem uma boa história, possui hábitos dramáticos e exibicionistas grandiosos (não é uma questão de ser bom ou não), um vilão de considerável respeito e alguém que faz valer todo o medo que possuem dele. Respeitem Lorde Voldemort quanto personagem, mas desçam o lenha como pessoa.

Agora, falarei só de alguns, que eu acho que são críticos e falta muito aprofundamento no debate sobre eles:

  • Severus Snape

        O personagem de Severus Snape é um dos mais fascinantes da obra: pobre, de origem familiar proletária, interiorano e profundamente misantropo. É um personagem cuja existência pode ser moldada da melhor forma possível por quem o tiver em mãos. E eu acho que, de acordo com todas as premissas, o personagem foi bem feito - o problema é o fandom.

        Snape era um perseguidor, não importa o quanto algumas pessoas tentem defendê-lo. Ele virou um Comensal da Morte com o delírio de que isso iria permiti-lo conquistar a garota que ele não amava, e não hesitou nem um instante em deixar uma criança morrer pelo bem dela. Ele chorou por vinte anos por um amor que ele próprio destruiu, direta e indiretamente, literal e figurativamente. Não se deve vê-lo como um herói ou como um homem apaixonado, porque é uma idealização, e idealizadores ou são idiotas ou são desonestos.

  • Sirius Black

         Sirius Black é um personagem cuja existência é um reflexo do seu desenvolvimento: rico, mimado, intolerante, violento e, no geral, de natureza criminosa. Os livros de HP não tentaram esconder os erros dele em momento algum, então é muito evidente que o desenvolvimento foi honesto, perceptível e bem-feito. Novamente: o problema é o fandom.

        Ele tentou matar o Severus e não se arrepende disso, o primeiro objetivo que teve ao saber da morte do amigo foi ir atrás do traidor para matá-lo. Em ambas as situações, ele não se preocupou com ninguém além de si mesmo, pondo em risco tanto a segurança quanto a vida dos outros, incluindo e quase que principalmente as pessoas próximas a ele. Minha opinião particular é que ele ou era um psicopata ou no mínimo sofria com as desordens mentais causadas pela endogamia da família Black, visto como a natureza dele é parecida com a de um psicopata nos primeiros graus. O posicionamento no lado do Dumbledore não seria por consenso moral, mas por condicionamento autoimpingido para repudiar tudo aquilo que os pais dele aprovavam, agindo desde a classificação em Hogwarts até visuais trouxas, de roupas até uma motocicleta, contradizendo as vontades dos pais dele (em especial da mãe). Não forçarei ninguém a concordar, mas esta é minha opinião sobre ele.

  • Alvo Dumbledore

        Não farei nenhuma suavização: Alvo Dumbledore é a definição em carne e sangue da ideia de hipocrisia. Um homem inteligente, culto, gentil e bom professor, mas um diretor medíocre, um político fraco e um militante, na melhor das hipóteses, inútil.

        Não vou entrar na questão da Ariana, porque isso não é nada relevante para as histórias de HP em termos de conhecer ou não. A parte do Grindelwald tem uma coisa fabulosa chamada Pacto de Sangue, então é uma parte da história que pode ser enevoada. Agora, a partir de 1945, todas as decisões dele não somente devem ser vistas de forma inteiramente crítica como também morais. Por exemplo, a ascensão de Voldemort.

        Àqueles que acreditam que Tom ascendeu sem ser por culpa de Dumbledore, há apenas uma resposta possível: tolo. Dumbledore sabia o que Tom era, sabia que havia uma movimentação pela parte dele. A partir do momento em que não fez nada para parar logo após saber das coisas, ele pagou para ver o que aconteceria. As mortes da Primeira Guerra não são culpa mais de Voldemort do que do próprio Dumbledore.

        Enquanto diretor, Dumbledore não garantiu em momento algum a segurança dos alunos. O bullying foi disseminado em Hogwarts pelo menos desde 70 e continuou assim até os anos 90, ambos os períodos ainda sob a direção dele. Os Marotos, Snape e a criação de Comensais da Morte adolescentes é culpa direta do Dumbledore em todos os cenários, 1) porque ele não interrompeu a ascensão de Voldemort e 2) ele não trabalhou para que os alunos fossem nem pacificados nem corrigidos por hábitos horríveis. As melhores coisas que ele já fez enquanto diretor foi ter admitido um lobisomem em Hogwarts e ter dado salário ao Dobby, mas nada além.

        Enquanto político, devemos levá-lo como um militante também. Dumbledore era um vocal defensor dos trouxas, nascidos-trouxas e outros seres e criaturas mágicas. O problema é um tanto quanto mais claro aqui: ele não fez nada de bom por nenhum desses grupos. Os Comensais da Morte consideravelmente poderosos e influentes escaparam dos julgamentos. As políticas cruéis para seres e criaturas continuaram a existir e, em algum ponto, até a piorar. Ele não fez nada para melhorar culturalmente o Reino Unido na escola nem tentou forçar uma mudança institucional pela via política. Ele foi alguém com muito poder, mas poder na mão de tolo ou é genocídio ou é conservadorismo. Com toda a pecha de inclusivo e progressista, o máximo que se extrai da prática como critério da verdade é que o Dumbledore foi uma coisa que acho literariamente adequada que é chamada de "Rei Inútil", sendo que ele já passou pelas facetas de "Rei Covarde" ao se negar ao confronto e de "Rei Banguela" por não ser nada temível por parte daqueles que ele tanto prega ir contra.

6 - Sobre a autora.

Enquanto fora da questão da figura particular da JK Rowling e tratando apenas dos livros de HP: ela é uma escritora medíocre. Razões para tal:

  • Repetitividade.

         Ao longo dos livros, há uma exaustiva repetição da própria história adjetivando os personagens de novo, relembrando a história o tempo todo. Por exemplo, no segundo capítulo de Cálice de Fogo há três páginas de recapitulação, sendo que o capítulo tem 7 páginas.

  •  Estética

        A estética dos livros de Harry Potter é uma merda. As formatações brasileiras são maravilhosas, mas a estética, o que abro margem por questão de tradução (por diferença de tamanho de palavras e adaptações), é uma merda.

        Parágrafos longos demais seguidos por parágrafos bem curtos, parágrafos curtos seguidos por parágrafos muito longos, plasticidade em parte dos diálogos, caretismo no linguajar, pleonasmo na maior potência possível.

7 - Curiosidade.

 Uma informação que não é exatamente necessária, mas que eu acho pertinente é que na época do lançamento de Cálice de Fogo (2000) já haviam críticas comentando sobre a perda da infantilidade, por causa do final do livro que tinham cenas "aterrorizantes" e "mórbidas", o que simplesmente pode ser descrito como "cruel realismo".

Outra coisa a se comentar é que os livros que eu tenho são das primeiras edições, feitas diretamente dos livros em suas épocas de publicação e seguindo a ortografia da época, então tem coisas como "boa-tarde".

8 - Considerações finais.

Esse foi um post cansativo de fazer, mas acho que não irei mais remoer sobre fazer ou não, então também é um pouco aliviante ter feito. Dou-me o direito de descansar por três dias agora.

Tenho que fazer um comentário sobre não comentar sobre a pessoa da JK Rowling. Não é por alguma ideia de que eu quero ficar de fora da conversa, é pelo mesmo motivo que dei do porque não queria comentar sobre HP: é cansativo. As pessoas ou vão desprezar toda a obra dela ou vão fazer um puxassaquismo passador de pano ou vão tentar fingir que ela não existe e continuar consumindo (comprando) mesmo assim. Não tenho vontade de me entremear nesse lixo conversativo. Peço desculpas, mas não pretendo criar caos só por interesse em comentar mais uma opinião no meio de uma confusão tão antiga.

Espero ter completado tudo que eu acho pertinente de dizer, mas deve ter alguma falha ou algo que eu posso me contradizer depois se revisitar algumas análises que eu fiz antes ou depois de pesquisar nos livros. Ademais, vou me despedindo por aqui. Vou jantar agora - comprei pão de cebola e queijo na feira hoje. Deus me dê disposição para poder acordar cedo amanhã pra estudar C++.

Boa noite a todos. Cuidem-se e fomentem a leitura nacional, comprem livros usados e em lojas periféricas.

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