Last Dance
Nagi aqui pessoal. Essa semana eu vou estar postando o que eu escrevi no Twitter sobre a música Last Dance, do cantor japonês Eve. Vou estar pelas próximas semanas me concentrando em escrever um texto sobre O Chamado de Cthullu, do H.P. Lovecraft. Vou tentar fazer num estilo parecido com um estudo teórico, então vai ser um trabalho maçante.
1 - Introdução
Last Dance é, na minha opinião, a melhor música da indústria japonesa atual (e talvez de boa parte do mundo) tanto pela composição (melodia e ritmo) quanto pelo conteúdo da letra, que discute desde trabalho e vida em centros urbanos à consumismo, adoecimento e isolacionismo.
2 - Urbanismo e negligência ao indivíduo
A música começa com uma crítica ao estilo de vida e organização metropolitanos.
O eu lírico ambienta o espaço como "onde há arranha-céus encobertos", que é a representação típica de um local moldado pelo empresiarialismo urbano, que é personificado por grandes prédios. E, ao menos tempo em que ambienta o espaço, também joga luz a um problema da sociedade capitalista como um todo: negligência sistemática do indivíduo.
O eu lírico declara que os arranha-céus levaram muitas pessoas e amigos, fazendo alusão direta a alta exploração por parte do sistema empresarialista, que não somente objetifica o trabalhador como meramente, bem, um trabalhador, como também força ações e tomada de decisões irracionais, que ignoram a própria vida e segurança do indivíduo. Não só isso, também pode, devido a ambiguidade, aludir ao fenômeno do suicídio ao pular de prédios, na maioria das vezes ligados a desilusão com a vida pessoal ou carreira, que em metrópoles, se ligam ao empresarialismo.
3 - Consumismo, adoecimento e isolacionismo humano
O consumismo em Last Dance se liga ao estilo de vida do empresarialismo urbano.
O eu lírico comenta que uma pessoa que ele não gosta acabou se enganando com belas palavras e, como todos os outros, sendo engolido pelo desejo, que leva as pessoas a desesperarem-se com a realidade e lutarem contra ela, para tentar controlá-la ao mesmo tempo que torturam-se com uma vida objetificada, acabando por cair no abismo nomeado "ego", que é inflado com os muito ditos "bens de consumo".
Esses mesmos bens de consumo acabam por ser o ponto de reflexão do eu lírico, que coloca-se em uma posição de avaliação do mundo, e aparentemente concluindo que a ideia de tais coisas acabam por fazer o indivíduo dançar (metaforicamente) um na frente do outro, como que (provavelmente) para exibirem seus bens, sem nunca verdadeiramente se entenderem, apenas perdidos no excessivo envolvimento com suas emoções de "meninos e meninas" (isto é, joviais e/ou imaturas), e que apenas quando clarearem seus pensamentos como "yes-man" (subordinado) poderão, por fim, entender as motivações verdadeiras dos outros, verem-se de verdade e conversarem como pessoas próprias, com pensamentos, emoções e interesses próprios.
4 - Corrupção, conformismo e compreensão de "viver"
A alta exploração do indivíduo pelo sistema acaba por moldar não somente a sua forma de organização de carreira, mas também pessoal: ela passará a mudar suas rotina, sua dieta e até mesmo seus relacionamentos interpessoais e consigo mesmo, seus desejos, pensamentos e mesmo saúde, em função da otimização do serviço. Isso acaba por distorce-lo, alterando a sua natureza base para uma autodestrutiva, tingida pela irracionalidade agressiva e compreensivelmente entendida como "mal", e com o passar do tempo essa nova e nociva rotina torna-se não somente natural, mas inevitável, como expressos na ideia verbalizada de que os "talentosos entendem a solidão", que alude a ideia de que os que mais se destacam nesse sistema exploratório (normalmente vistos talentosos, aptos e capazes) compreendem a solidão devido a devoção e sacrifícios exclusivos pelo "sucesso", enquanto os "melancólicos pacientes" (aqueles que não atingiram o sucesso mas participam do sistema) "escolhem o amanhã", que é uma ambiguidade que pode dizer que aqueles que não atingem o sucesso escolhem viver pelo dia de amanhã, em conformidade com o mundo, ou que, compreendendo o mundo, agarram-se a vida e esperam o amanhã com a continuidade dela, para devidamente valorizarem-na, em conformidade e, ao mesmo tempo, livres.
5 - Simbiose Sistema x Sociedade
A música termina com o eu lírico tomando uma posição intimista de fala, declarando para alguém que irá esperar o "último trem", mesmo sabendo que a pessoa esperada não voltará.
Isso traz as ideias de que a dita pessoa acabou por morrer ou viajar, estando, em ambos, segundo o eu lírico, parecendo feliz, mas banhada por uma realidade dolorosa entendida por ele, podendo não somente indicar o sofrimento em viver nesse sistema exploratório, mas também o de sair, devido ao abismo obsessivo do ego por "bens de consumo" e revelando a pessoalidade de cada um com o sistema, num ciclo de falsa necessidade e conformismo, bem como o medo de ser excluído da sociedade, que se apoia nos princípios de consumo ("coisas que não deveriam estar aqui").
6 - Imagens
Representação, no MV, do começo do protagonista, entrando em meia ironia com a declaração de "amigos levados" paralelamente na música.
Demonstrações visuais do padecimento do indivíduo, sendo a primeira representando o definhamento físico em função de malcuidado com o corpo (com o choque entre a cadeira de rodas e a pessoa em pé) e a segunda o vício em drogas, seja qual motivo de uso.
Representação da objetificação e negligência com o indivíduo em função de trabalho e resultado, em vista a figura casualmente jogando os papeis na primeira imagem que se mostram como fichas sobre pessoas, insinuando pouco caso com eles e seu histórico.
Representações da exibicionista e cega dança feita pelas pessoas enquanto estão perdidas dentro do ego consumista.
7 - Considerações finais
Sinceramente, nenhuma. Nem lembro o que eu escrevi aqui, só sei que me senti P1K4 quando postei. Desculpem qualquer coisa. Aliás, Feliz Natal! Voltaremos em 2023. Deve ter um post de despedida, talvez.







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